domingo, 22 de agosto de 2010

O Desejo de Amar e Ser Amado: 'O Mito das Almas Gêmeas'.


"A história que tentei contar a ela num banquinho (mas não lembrava direito), pra tentar explicar que fomos feitas uma para outra e que, finalmente, nos encontramos."

É meio vago e irreal tentar explicar as relações humanas em coisas abstratas, tais como mitos, horóscopo, contos mitológicos ou de fadas, letras de música, ou certas passagens de filmes... enfim, no fundo todos nós já fizemos uma reflexão dessa em um dado momento da vida. Rememore.

Todos nós torcemos um pouco o nariz quando vemos um casal apaixonadinho identificando a sua história tomando para si trechos de músicas, cenas de filme ou até mesmo uma estória ou conto, como o que aqui vou emprestar pra minha história apaixonadinha, o mito das almas gêmeas, narrado em O Banquete de Platão.

Platão em O Banquete  narra a história das almas gêmeas. Ele explica que no começo do mundo os seres eram assexuados, andróginos reunidos em uma só pessoa. Esse ser se bastava em si, não precisando de nenhum outro ou de nenhuma outra coisa para se sentir imensamente feliz e pleno. Contudo, "a criatura", desafiou os deuses ao tentar adentrar o Monte Olimpo e o deus mitológico, Zeus, como castigo cindiu-os ao meio.

Pra tentar resumir o que já parece óbvio, viria daí, desde então, essa nossa busca desenfreada pelo inteiro, o uno, o singular, o indiviso, o completo... ou seja, a procura incessante por esta outra metade que nos fora arrancada, deixando essa eterna sensação de sempre nos faltar algo, restando uma angústia predominante que até tornea uma infelicidade constante.

O mito da alma gêmea saltou da filosofia de Platão para se transformar num dos mais fortes clichês do amor moderno. Procurar a metade que vaga por aí é uma questão de fé - quem acredita, não duvida e todos os outros acham bobagem. Só sei que hoje tenho certeza de a ter encontrado. A minha outra metade.

Tudo se explica todos os dias, cada vez mais, seja num sorriso dela (quando ela faz iluminar tudo à sua frente), ou quando escuto alguma das incontáveis músicas que já gostávamos (antes do encontro irreversível de nossas almas), nos filmes que gostamos tanto de (re)ver juntas, ou até mesmo, quando entendemos tudo que gostaríamos de dizer com apenas um olhar.

Acho que tenho muita sorte... é isso, sorte! Neste mundo de tantas atrocidades, tanta descrença e inveja, onde o amor e todas as suas coisas vêm perdendo a força real e surgem cada vez mais casais do tipo 'Closer' (filme com Julia Roberts com enfoque sobre a descaracterização do amor, mostrando um 'amor atual' sempre duro, com verdades exageradamente doloridas e até cruéis) tenho que crer na sorte de a ter encontrado, sem falar no incomodo do 'outro' ao ver a felicidade alheia, - vai me dizer que você nunca sentiu uma pontinha de sei-lá-o-quê ao ver um daqueles casais que enjoa, só de pensar em todas aquelas trocas de carinho, estando você solteiro, lógico! -  seja por pretensão ou por não ter nada melhor mesmo pra fazer da vida, sempre tem um(a) incomodado(a).

Só sei que encontrei minha outra metade, a minha possível alma gêmea... acredito certamente nisso (ao menos tenho no que acreditar, não é mesmo?!) e ao longo do tempo só farei ratificar o que aqui foi dito. Ou não! E se não for, paciência! Mas se todas essas coisas apaixonantes e incrivelmente felizes que sinto quando estou ao lado dela (fazendo qualquer coisa) não são reais, então, realmente, desaprendemos a gostar de alguém.


Assinado: Monstro Número Um.

(para Mariana) ps:.'ad aeternum'.

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